O fecho da fábrica Mimoso, Barbas & Gomes em S.Paio, é um fecho de igual a tantas outras por aí, mas não fosse ela a última "amostra" têxtil do concelho de Gouveia, não lhe daríamos a mínima importância. Há muito que o têxtil deixou de fazer parte do futuro de um concelho cada vez mais diminuto e idoso. Nada resta, a não ser terra e mesmo essa ninguém a quer, deram subsídios para arrancar vinha, olival ou simplesmente deixar de cultivar. Até o queijo apenas tem palco uma vez por ano, todos os outros dias não servem ao patrocínio de uma iguaria que deixou de ser conotada com Gaudela.
Que resta? É a pergunta que tantos outros perguntam, e muitos de vós leitores. Que transformaram Gouveia? Em nada. Os jovens foram obrigados a partir, a descrença era muita, inclusive aqueles que eram conotados com a cor partidária da governação autárquica, partiram, não havia escolha, não havia oportunidades, aqui não há "terra prometida".
Hoje Gouveia podia ser um nicho de empresas de ensaios e experimentações, a tecnologia e novas energias podiam ter sido o futuro de hà dez anos atrás, talvez Gouveia nunca poderia expirar a ter o Ensino Superior mas poderia ter sido o principio de muitos em inicio de carreira, de jovens cientistas, biólogos, engenheiros...etc.
Vinte anos de muitas apostas falhadas, um turismo desorganizado e uma industria que entrou em decadência e continuámos incessantemente a salvá-la do inevitável, os empresários não souberam colocar os interesses locais acima dos seus, não se modernizaram, não se auto-instruíram nem apostaram em mão-de-obra qualificada.
Dívida, sobre dívida foi o caminho traçado, a sede de votos de uma população envelhecida, em rotundas, estatuetas e passeios onde já existiam, chamada obra feita. Olhamos para à esquerda e à direita, nada vemos, à latitude e à longitude, ninguém será capaz de acreditar, talvez em D. Sebastião numa manhã de nevoeiro. Os políticos preocupam-se incessantemente por jogos de palavra em jornal local, o tempo pára para eles, não para nós, cada dia que passa mergulha-se cada vez mais no marasmo.O ego do poder é demasiado grande, que é preciso saber-se sentar na cadeira do Poder, é, e muitas vezes sentar-se no lado oposto e tentar perguntar: Que faço eu aqui? A humildade é perspicácia, pede-se paixão e lucidez...coisa que não vejo! Sustentabilidade de governação e cidadania são palavras inexistentes na sociedade política local, roça-se o egocentrismo do alter-ego, pensando que o voto permite tudo e mais alguma coisa. Somos produto daquilo que semeamos, é demais evidente, e já agora que falta luz por aí...que surjam iluminados, é que a população deveria ter sido consultada.


